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O Janeiro Branco, iniciativa criada desde 2014 no Brasil, transcende o conceito de uma campanha sazonal para se firmar como um robusto movimento social de utilidade pública. Seu propósito central é integrar a saúde mental à agenda coletiva, tratando-a como um componente indissociável da dignidade humana.
A campanha foi oficialmente reconhecida em 2023, quando foi sancionada a Lei nº 14.556[1], dedicada à promoção da saúde mental em todo o território nacional, um tema que inevitavelmente esbarra na desigualdade social. Promover saúde mental é um compromisso que vai além do consultório. A eficácia desse cuidado depende de políticas inclusivas que garantam o direito de todos (universalidade), o olhar para o ser humano como um todo (integralidade) e o atendimento às necessidades específicas de cada grupo (equidade). Somente através da interlocução entre diferentes profissionais e setores da sociedade poderemos construir uma rede de apoio sólida e humanizada.
Nesse sentido, é importante incorporarmos a esta campanha os preceitos da luta antimanicomial e da redução de danos, reafirmando o compromisso com os direitos fundamentais. Outro ponto crucial para o debate é analisar as estruturas laborais contemporâneas que negligenciam o bem-estar do trabalhador. A precarização, manifestada por salários insuficientes e jornadas que invadem a vida pessoal, tanto no setor público quanto no corporativo, é um vetor direto de sofrimento psíquico. Cuidar da saúde mental coletiva exige, portanto, não apenas acolhimento individual, mas uma mobilização organizada que reivindique ambientes de trabalho dignos, onde a produtividade não se sobreponha à integridade humana.
Poderíamos falar ainda sobre outras mazelas, tais como a difícil realidade de que não tem garantias se vai e o que irá comer no próximo dia, sobre a precariedade da mobilidade urbana nas cidades; que muitas vezes obriga o cidadão a passar várias horas do seu dia em deslocamentos cansativos e que lhe roubam o descanso, a convivência com a família, o sono adequado, tudo isso para trabalhar em locais não raras vezes insalubres e que lhe causam diversos tipos de adoecimentos, inclusive mental e emocional.
É impossível desvincular a saúde mental das tragédias sociais que estruturam o país. Essas dinâmicas de exclusão atacam diretamente a base da dignidade humana, gerando uma crise de saúde mental em larga escala que exige uma resposta para além do consultório, focada na transformação das raízes dessas desigualdades.
Diante do que aqui foi exposto, é necessário compreender que tais questões são importantes para não concentrarmos a discussão sobre saúde mental apenas na pessoa, mas de forma mais abrangente na garantia de direitos; como saúde, educação, assistência social, habitação, segurança, trabalho, etc.
Texto: Felipe Eduardo Ramos de Carvalho
Psicólogo CRP 04/40703
Mestrando em Política Social (UFF/UFVJM)
Pós-graduado em Saúde Mental
Professor e Coordenador do Curso de Psicologia na Unidade Doctum Caratinga
[1] BRASIL. Lei nº 14.556, de 20 de abril de 2023. Institui o Dia Nacional da Conscientização sobre a Paternidade Responsável. Brasília, DF: Presidência da República, [2023]. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2023-2026/2023/lei/L14556.htm. Acesso em: 9 de jan. de 2026.
O Janeiro Branco, iniciativa criada desde 2014 no Brasil, transcende o conceito de uma campanha sazonal para se firmar como um robusto movimento social de utilidade pública. Seu propósito central é integrar a saúde mental à agenda coletiva, tratando-a como um componente indissociável da dignidade humana.
A campanha foi oficialmente reconhecida em 2023, quando foi sancionada a Lei nº 14.556[1], dedicada à promoção da saúde mental em todo o território nacional, um tema que inevitavelmente esbarra na desigualdade social. Promover saúde mental é um compromisso que vai além do consultório. A eficácia desse cuidado depende de políticas inclusivas que garantam o direito de todos (universalidade), o olhar para o ser humano como um todo (integralidade) e o atendimento às necessidades específicas de cada grupo (equidade). Somente através da interlocução entre diferentes profissionais e setores da sociedade poderemos construir uma rede de apoio sólida e humanizada.
Nesse sentido, é importante incorporarmos a esta campanha os preceitos da luta antimanicomial e da redução de danos, reafirmando o compromisso com os direitos fundamentais. Outro ponto crucial para o debate é analisar as estruturas laborais contemporâneas que negligenciam o bem-estar do trabalhador. A precarização, manifestada por salários insuficientes e jornadas que invadem a vida pessoal, tanto no setor público quanto no corporativo, é um vetor direto de sofrimento psíquico. Cuidar da saúde mental coletiva exige, portanto, não apenas acolhimento individual, mas uma mobilização organizada que reivindique ambientes de trabalho dignos, onde a produtividade não se sobreponha à integridade humana.
Poderíamos falar ainda sobre outras mazelas, tais como a difícil realidade de que não tem garantias se vai e o que irá comer no próximo dia, sobre a precariedade da mobilidade urbana nas cidades; que muitas vezes obriga o cidadão a passar várias horas do seu dia em deslocamentos cansativos e que lhe roubam o descanso, a convivência com a família, o sono adequado, tudo isso para trabalhar em locais não raras vezes insalubres e que lhe causam diversos tipos de adoecimentos, inclusive mental e emocional.
É impossível desvincular a saúde mental das tragédias sociais que estruturam o país. Essas dinâmicas de exclusão atacam diretamente a base da dignidade humana, gerando uma crise de saúde mental em larga escala que exige uma resposta para além do consultório, focada na transformação das raízes dessas desigualdades.
Diante do que aqui foi exposto, é necessário compreender que tais questões são importantes para não concentrarmos a discussão sobre saúde mental apenas na pessoa, mas de forma mais abrangente na garantia de direitos; como saúde, educação, assistência social, habitação, segurança, trabalho, etc.
Texto: Felipe Eduardo Ramos de Carvalho
Psicólogo CRP 04/40703
Mestrando em Política Social (UFF/UFVJM)
Pós-graduado em Saúde Mental
Professor e Coordenador do Curso de Psicologia na Unidade Doctum Caratinga
[1] BRASIL. Lei nº 14.556, de 20 de abril de 2023. Institui o Dia Nacional da Conscientização sobre a Paternidade Responsável. Brasília, DF: Presidência da República, [2023]. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2023-2026/2023/lei/L14556.htm. Acesso em: 9 de jan. de 2026.
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