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Os conflitos são inerentes a todas as relações humanas e isso, por óbvio, inclui aqueles oriundos entre os cônjuges. Cummings e Davies (2010) definem o conflito conjugal como qualquer situação de interação entre o casal que envolva diferença de opinião, negativa ou positiva.
Suas manifestações podem acontecer de variadas formas: desde a violência física e verbal (como insultos e gritos) até formas mais sutis, caracterizadas por um clima de indiferença e tensão constante.
Em núcleos familiares constituídos por casais com filhos, a exposição de crianças e adolescentes a episódios de conflito conjugal é uma contingência comum. Nesse contexto, a forma como o casal gere essas crises é determinante, uma vez que as repercussões desses embates transbordam o vínculo matrimonial, impactando tanto o bem-estar dos filhos quanto o equilíbrio das interações familiares.
Quando os problemas são mediados pela conversa franca, os prejuízos tendem a ser reduzidos. Entretanto, o comportamento agressivo não apenas dificulta a solução, como também instala um clima de sofrimento que alcança todos ao redor, afetando não apenas os protagonistas da disputa, mas também espectadores vulneráveis, como os filhos, que são atingidos indiretamente pela tensão gerada.
É uma percepção socialmente enraizada a de que as desavenças entre o casal exercem influência negativa sobre o crescimento e o bem-estar dos filhos, sendo um tema de consenso em diferentes esferas da sociedade, conforme aponta Goulart (2012).
Sob essa ótica, o impacto do conflito conjugal no desenvolvimento infantojuvenil opera por duas vias distintas: a direta e a indireta. A influência direta ocorre por meio da exposição presencial da prole aos embates parentais, afetando as dimensões psicológica (Davies; Cummings, 1994), social (Grych; Fincham, 1990) e acadêmica (Harold; Aitken; Shelton, 2007). Por outro lado, a via indireta manifesta-se pela alteração da atmosfera doméstica; mesmo sem o testemunho ocular do conflito, os filhos sofrem com a deterioração da dinâmica familiar, evidenciada pelo aumento da hostilidade entre irmãos (Dunn; Davies, 2001) e pela redução da disponibilidade afetiva e operativa dos pais (Sturge-Apple; Davies; Cummings, 2006).
De modo geral, um ambiente de bastante estresse pode afetar significativamente o desenvolvimento de uma criança ou um adolescente. Muitas pessoas acabam desenvolvendo quadros de ansiedade, depressão e dificuldades de regulação emocional ao crescerem em ambientes com muitos conflitos.
E mesmo que a pessoa não desenvolva um quadro clínico de fato, ela ainda pode apresentar níveis maiores de ansiedade quando comparada com pessoas que cresceram em ambientes mais pacíficos.
CUMMINGS, E. M. DAVIES, P. T. (2010). Marital conflict and children: na emotional security perspective. New York, NY: The Guilford Press. Acesso em: 06 de fev. de 2026.
DAVIES, P. T., CUMMINGS, E. M. (1994). Marital conflict and child adjustment: An emotional security hypothesis. Psychological Bulletin, 116, 387-411. Disponível em: http://www.psych.rochester.edu/graduate/developmental/faculty/documents/MaritalConflictandchildadjustment1994.pdf. Acesso em: 06 de fev. de 2026.
GOULART, Viviane Ribeiro. Conflitos conjugais: a perspectiva dos filhos. 2012. Disponível em: https://lume.ufrgs.br/handle/10183/72794. Acesso em: 06 de fev. de 2026.
GRYCH, J. H., FINCHAM, F. D. (1990). Marital conflict and children’s adjustment: A cognitive-contextual framework. Psychological Bulletin, 108, 267-290. Disponível em: http://www.chs.fsu.edu/~ffincham/papers/pb-child-prob-and-mc-pb-90.pdf. Acesso em: 06 de fev. de 2026.
HAROLD, G. T., AITKEN, J. J., SHELTON, K. H. (2007). Inter-parental conflict and children’s academic attainment: A longitudinal analysis. Journal of Child Psychology and Psychiatry, 48(12), 1223-1232. doi:10.1111/j.1469-7610.2007.01793.x. Acesso em: 06 de fev. de 2026.
Felipe Eduardo Ramos de Carvalho
Psicólogo – CRP 04/40703
Pós-graduado em Saúde Mental
Mestrando em Políticas Sociais – UFF/UFVJM
Professor da rede Doctum de Ensino
Coordenador do Curso de Psicologia na Unidade de Caratinga
Os conflitos são inerentes a todas as relações humanas e isso, por óbvio, inclui aqueles oriundos entre os cônjuges. Cummings e Davies (2010) definem o conflito conjugal como qualquer situação de interação entre o casal que envolva diferença de opinião, negativa ou positiva.
Suas manifestações podem acontecer de variadas formas: desde a violência física e verbal (como insultos e gritos) até formas mais sutis, caracterizadas por um clima de indiferença e tensão constante.
Em núcleos familiares constituídos por casais com filhos, a exposição de crianças e adolescentes a episódios de conflito conjugal é uma contingência comum. Nesse contexto, a forma como o casal gere essas crises é determinante, uma vez que as repercussões desses embates transbordam o vínculo matrimonial, impactando tanto o bem-estar dos filhos quanto o equilíbrio das interações familiares.
Quando os problemas são mediados pela conversa franca, os prejuízos tendem a ser reduzidos. Entretanto, o comportamento agressivo não apenas dificulta a solução, como também instala um clima de sofrimento que alcança todos ao redor, afetando não apenas os protagonistas da disputa, mas também espectadores vulneráveis, como os filhos, que são atingidos indiretamente pela tensão gerada.
É uma percepção socialmente enraizada a de que as desavenças entre o casal exercem influência negativa sobre o crescimento e o bem-estar dos filhos, sendo um tema de consenso em diferentes esferas da sociedade, conforme aponta Goulart (2012).
Sob essa ótica, o impacto do conflito conjugal no desenvolvimento infantojuvenil opera por duas vias distintas: a direta e a indireta. A influência direta ocorre por meio da exposição presencial da prole aos embates parentais, afetando as dimensões psicológica (Davies; Cummings, 1994), social (Grych; Fincham, 1990) e acadêmica (Harold; Aitken; Shelton, 2007). Por outro lado, a via indireta manifesta-se pela alteração da atmosfera doméstica; mesmo sem o testemunho ocular do conflito, os filhos sofrem com a deterioração da dinâmica familiar, evidenciada pelo aumento da hostilidade entre irmãos (Dunn; Davies, 2001) e pela redução da disponibilidade afetiva e operativa dos pais (Sturge-Apple; Davies; Cummings, 2006).
De modo geral, um ambiente de bastante estresse pode afetar significativamente o desenvolvimento de uma criança ou um adolescente. Muitas pessoas acabam desenvolvendo quadros de ansiedade, depressão e dificuldades de regulação emocional ao crescerem em ambientes com muitos conflitos.
E mesmo que a pessoa não desenvolva um quadro clínico de fato, ela ainda pode apresentar níveis maiores de ansiedade quando comparada com pessoas que cresceram em ambientes mais pacíficos.
CUMMINGS, E. M. DAVIES, P. T. (2010). Marital conflict and children: na emotional security perspective. New York, NY: The Guilford Press. Acesso em: 06 de fev. de 2026.
DAVIES, P. T., CUMMINGS, E. M. (1994). Marital conflict and child adjustment: An emotional security hypothesis. Psychological Bulletin, 116, 387-411. Disponível em: http://www.psych.rochester.edu/graduate/developmental/faculty/documents/MaritalConflictandchildadjustment1994.pdf. Acesso em: 06 de fev. de 2026.
GOULART, Viviane Ribeiro. Conflitos conjugais: a perspectiva dos filhos. 2012. Disponível em: https://lume.ufrgs.br/handle/10183/72794. Acesso em: 06 de fev. de 2026.
GRYCH, J. H., FINCHAM, F. D. (1990). Marital conflict and children’s adjustment: A cognitive-contextual framework. Psychological Bulletin, 108, 267-290. Disponível em: http://www.chs.fsu.edu/~ffincham/papers/pb-child-prob-and-mc-pb-90.pdf. Acesso em: 06 de fev. de 2026.
HAROLD, G. T., AITKEN, J. J., SHELTON, K. H. (2007). Inter-parental conflict and children’s academic attainment: A longitudinal analysis. Journal of Child Psychology and Psychiatry, 48(12), 1223-1232. doi:10.1111/j.1469-7610.2007.01793.x. Acesso em: 06 de fev. de 2026.
Felipe Eduardo Ramos de Carvalho
Psicólogo – CRP 04/40703
Pós-graduado em Saúde Mental
Mestrando em Políticas Sociais – UFF/UFVJM
Professor da rede Doctum de Ensino
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